As pessoas e a Síndrome de Burnout


Hoje resolvi escrever sobre PESSOAS, porque toda e qualquer gestão só acontece com estes seres humanos que precisam fazer acontecer. E, especificamente, sobre a Síndrome de Burnout.

Para quem não sabe, a Síndrome de Burnout é um distúrbio emocional resultante da realização de um trabalho desgastante. Sua principal causa é, justamente, o excesso de trabalho e a sua realização em ambientes pouco amigáveis, repletos de desvalorização, estresse e, muitas vezes, desrespeito. A Organização Mundial da Saúde – OMS já a considera uma síndrome crônica ligada ao trabalho, e por isso a incluiu na nova Classificação Internacional de Doenças (CID-11), que deve entrar em vigor em 1º de janeiro de 2022. (Fonte)

Com o cenário que nos foi apresentado desde 2020, em função da pandemia, as estatísticas mostraram um aumento significativo nos casos de pessoas desenvolvendo esta síndrome. A revista Exame trouxe a informação de que a Síndrome de Burnout já afetava 30% da população economicamente ativa antes da pandemia, de acordo com estimativa do International Stress Management Association (ISMA-BR). Durante o isolamento, a dificuldade em separar trabalho e vida pessoal fez crescer o número de profissionais esgotados. Em 2020, mais de 576 mil pessoas solicitaram auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez devido a transtornos mentais, o maior número já registrado pela Secretaria Especial de Previdência e Trabalho. (Fonte)

Diante deste cenário, comecei a refletir sobre profissionais que atendemos no mundo corporativo, como lidamos com a mente do time da Poletto e minhas próprias válvulas de escape. E nesta reflexão, me veio o tema “férias”.

Sim, conheço muitos profissionais do mundo corporativo, eu diria a maioria deles, que não conseguem tirar suas férias de modo tranquilo. Os motivos são distintos. Mas se você me perguntasse quais são os principais, eu citaria três:


  1. A falta de confiança em deixar desassistida sua atividade no período de descanso, o que poderia até denotar uma codependência.

  2. A falta de política corporativa para que as férias da pessoa sejam tranquilas, principalmente em cargos de liderança.

  3. O pensamento equivocado que a pessoa consegue seguir orientando à distância e desfrutando das férias, o que na verdade acaba não fazendo nada bem.

Eu tirei uma semana de férias nos meses de julho, agosto e setembro. A última foi um novo planejamento da de julho de 2020, que não aconteceu devido à pandemia. As demais foram decididas por motivos distintos, mas baseados no meu critério de merecimento.

E o que eu fiz para ter este merecimento? Fiz o que precisava ser feito! Fui adulta e não fugi das minhas responsabilidades, não deixei tarefas acumuladas ou sobrecarreguei meu time. Eu me planejei para essas semanas de férias. E, sim, quando eu estava de férias, eu recebi algumas demandas, olhei alguns e-mails, respondi alguns clientes, mas sabe como eu fiz isso? De forma calma e planejada.

Eu aprendi que o mundo não vai acabar se eu não responder 30 segundos depois de ver a mensagem ou receber a ligação. É tão libertador isso. E sabem por que eu consigo fazer isso? Pelo simples fato de eu perceber que o mundo segue girando. Eu comecei a me dar o tempo da resposta e confesso que não faço isso somente no modo férias. Faço no meu dia a dia. Eu sempre respondo, de forma breve, mas muitas vezes é apenas um parecer de que eu estou organizando a agenda, fazendo meu planejamento e no momento certo dou a resposta definitiva.

Isso traz uma desaceleração a qual estamos necessitados neste momento. Poder tomar decisões, fazer escolhas com calma e sensatez é muito importante para manter as emoções equilibradas. A nossa saúde mental é um dos nossos bens mais preciosos, precisamos olhar para isso e cuidar de nossos pensamentos e ações. Um caminho para que isso aconteça está relacionado ao como você se comporta diante de determinadas situações.

Vejo muitas posturas precipitadas e, por que não dizer, imaturas no ambiente corporativo que acabam criando um peso tanto para quem tomou a postura, quanto para quem fez parte da situação. E isso acaba sendo uma carga desnecessária. É como subir uma montanha com uma mochila repleta de pedras. E, acredite, isso pode mudar. Só depende de você.

Escolha como fazer determinada ação, de forma diferente, mais leve, e verá que é possível. A neurociência, juntamente com a inteligência emocional, mostram caminhos para se chegar a uma boa saúde mental.

* Melissa Poletto é formada em mentoring, especialista em neurociência e inteligência emocional e atua como mentora desde 2019. Se você ficou interessado, é só chamar que ela lhe passa todas as informações.

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