Ter uma certificação não garante que a cultura de segurança de alimentos está boa


Nos últimos meses, realizamos muitos diagnósticos sobre Cultura de Segurança de Alimentos e, diante desta experiência, escrevo algumas reflexões.

A primeira delas: muitas empresas que já possuem um sistema certificado há alguns anos têm a percepção de que o diagnóstico apontará que a Cultura de Segurança de Alimentos está ótima, exatamente pelo fato de já serem certificadas. Porém, esse fato não se comprova na prática. Isso acontece, primeiramente, pelo fato de cultura de segurança de alimentos ser um novo requisito. E, em segundo lugar, porque as recomendações de aplicação da Cultura pelo GFSI (Global Food Safety Initiative) abrangem questões específicas. Dentre estas questões, estão a missão e visão, as pessoas, a consistência, a adaptabilidade e a mentalidade de perigos e riscos. Sim, tudo isso já está dentro da maioria das normas de segurança de alimentos. Porém, não de forma estratégica e de disseminação pelas lideranças.

Conceitualmente, pelo GFSI, a “cultura de segurança de alimentos corresponde aos valores compartilhados, às crenças e às normas que afetam a mentalidade e o comportamento em relação à segurança de alimentos em toda a organização”. Portanto, vejam que o estabelecimento de uma cultura vai muito além de manter uma certificação.

Sim, sabemos das dificuldades de alterar a mentalidade e o comportamento das pessoas. A única forma é com o exemplo de cima para baixo, isto é, desde o presidente da empresa até as demais lideranças. E talvez seja aqui que resida a maior barreira. Ela existe porque o contato acaba sendo pouco, apenas em eventos de análise crítica e alinhamentos de contexto e partes interessadas, o que frequentemente acontece uma vez ao ano. Estes eventos precisam ser multiplicados por toda a organização.

Percebemos que há muito a ser feito para que os valores compartilhados transformem a mentalidade de produtividade em segurança de alimentos conjunta. Lembrando que a cultura de produtividade foi se estabelecendo desde a era industrial, no ano de 1760.

A cultura de qualidade, que sempre está em desenvolvimento surgiu na década de 1980, e alguns negócios ainda relutam, principalmente os que têm serviços associados, porque surgiu primeiro o conceito para produto. Agora, imaginem então a segurança de alimentos, que é um conceito relativamente recente, em se tratando de normas de gestão. O próprio GFSI fez sua formação inicial em 2000.

Os dados históricos sempre estão associados à evolução da humanidade e dos negócios. Temos certeza que assim será com a cultura de segurança de alimentos. Ter um início de reconhecimento das lacunas existentes é um fator determinante para o crescimento desta cultura.

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