• Josiane Kilian

Como se proteger das fraudes

Atualizado: Fev 25



Sempre que penso no tema fraude em alimentos, lembro da famosa série da Netflix Breaking Bad. Tenho certeza que muitos de vocês já assistiram e devem estar se perguntando o que isso tem a ver com fraude em alimentos.

Muito bem, por trás de toda fraude, existe alguém que conhece muito bem a ciência e a tecnologia de alimentos e passa a usar a química a favor do crime. Os fraudadores são super criativos no planejamento e execução de suas fraudes e acabam utilizando técnicas simples ou até mesmo complexas para fraudar os mais diversos tipos de alimentos.

Vamos ao típico exemplo do festival de fraudes na cadeia de leites, a Operação Ouro Branco, como foi chamada na época. Eu poderia citar inúmeros exemplos, desde adição de água (feita muitas vezes pelos próprios produtores na fazenda) até a adição de hidróxido de sódio (Soda) para neutralizar a acidez do leite. Toda a cadeia de leite se beneficiou por muito tempo dessa prática, até que foram desenvolvidos métodos analíticos que detectam esse tipo de fraude, colocando fim no esquema.

Devo lembrar a vocês, estimados colegas, que segurança de alimentos não se negocia! Nós, profissionais da área de alimentos, precisamos estar cientes dos principais riscos diretos, indiretos e técnicos relacionados a fraudes que impactam diretamente a saúde dos consumidores. No Quadro 1, você pode conferir alguns exemplos de riscos.

Quadro 1. Riscos à segurança de alimentos:

"A fraude é considerada um crime de acordo com o Código Penal Brasileiro, e é passível de prisão. Portanto dá CADEIA, e quem as pratica são criminosos!" Existem outros alimentos, além do leite, que são considerados campeões quando o tema é fraude. Mas vale destacar que todos os tipos de alimentos estão sujeitos às fraudes e adulterações.


A FSSC 22000, em maio de 2019, publicou um guia de Food Fraud que descreve as principais fraudes nos alimentos e seus exemplos. De acordo com os tipos, podemos ter algumas variações, que são: adulteração, falsificação, alterações em fórmulas, ocultação, rotulagem incorreta. (Quadro 2).


Quadro 2. Tipos de fraudes.

Confira a lista Top 10 dos alimentos mais fraudados no mundo segundo o Relatório sobre a crise alimentar, fraude na cadeia alimentar e seu controle (2013/2091 (INI)) Parlamento da UE.

Para evitar que ocorram fraudes na cadeia de alimentos e ataques ao SGSA, a FSSC 22000 V5.1 prevê que o plano de Food Fraude deve observar os seguintes aspectos:




É importante que as empresas conheçam as formas possíveis de ações de fraudes para que possam combatê-las através de ações de mitigação. Somente após o levantamento de todas as ameaças possíveis de ocorrerem em uma organização, quando o assunto é fraude, é que a empresa poderá desenvolver formas de bloquear estas possibilidades.

Portanto, qualquer ameaça que possa se tornar um risco de fraude aos alimentos deve ser monitorada e tratada para que não seja um risco real passível de ocorrer em uma organização. Você tem dúvida sobre como implantar os requisitos da FSSC V 5.1 para o programa de Food Fraud na sua empresa ou quer saber mais sobre este programa? Nós, da Poletto, estamos aqui para auxiliar. Você verá que tudo pode ficar mais simples com nossa ajuda especializada. *** Bibliografias


Esquema FSSC 22000 versão 5.1, novembro de 2020. Copyright © 2020, Fundação FSSC 22000. Acesso em 12/02/2021: https://www.fssc22000.com/

FOOD SAFETY SYSTEM CERTIFICATION 22000 – Documento de orientação: mitigação de fraude alimentar – versão 5 – Maio, 2019. Acesso em 12/02/2021: https://www.fssc22000.com/

Relatório sobre a crise alimentar, fraude na cadeia alimentar e seu controle (2013/2091 (INI)) Parlamento da UE baseado em Spink et al., 2013). Acesso em: 12/02/2021: https://www.europarl.europa.eu/doceo/document/A-7-2013-0434_PT.html


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